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A fundação da comunidade das Filhas do Amor Divino,
em San Isidro, Equador, Província de Manabí, teve
um longo processo de gestação. Partiu de um convite
oficial assinado por Dom José Mário Ruiz Navas, Arcebispo
de Portoviejo, na data de 17/12/2000 - Ano Jubilar.
Nesta
correspondência ele manifestava sua expectativa considerando
de vital importância a colaboração das religiosas
para: a formação e acompanhamento de catequistas;
o acompanhamento aos animadores de pequenas comunidades; a promoção
da mulher; o tornar próxima a presença de Cristo junto
aos mais pobres, o acompanhamento das equipes de liturgia, etc.
Para ajudar no discernimento, Irmã Maria Dulce Adams, Madre
Provincial, acompanhada da Conselheira Provincial, Irmã Beatriz
Maria Engel, fizeram uma viagem missionária ao Equador, nos
dias 17 a 23 de julho de 2002, a fim de realizar contatos e diálogos
com o senhor Arcebispo Dom José Mário acerca das possibilidades
de uma fundação de FDC no Equador.

Esquerda
para direita, Irmãs: Terezinha M. dos Passos, Neusa da Silva,
Leda de F. Toledo, Beatriz M. Engel
Segundo o parecer de Dom José Mário, a paróquia
de San Isidro mereceria a prioridade. Assim, no dia 19 de julho
de 2002, data histórica de nossa Província, Irmã
Maria Dulce e Irmã Beatriz foram conhecer San Isidro que
dista 120 Km de Portoviejo. Como o pároco de então,
Padre Yon Muñoz, estava de férias na Espanha, as Irmãs
foram acolhidas e hospedadas na casa paroquial e acompanhadas por
um missionário leigo Aitor Arbaiza Valero. Na oportunidade
mantiveram vários contatos com o povo na celebração
da Palavra e no encontro das lideranças das comunidades.
A partir desta visita intensificou-se a busca da vontade de Deus,
em oração e espírito de discernimento. Impuseram-se
vários momentos de hesitação, dificuldades,
manifestações e questionamentos desfavoráveis.
No entanto, uma disposição evangélica prevalecia:
“Se for do agrado de Deus as coisas se encaminharão.”
Muitas outras correspondências de Dom José Mário
reforçaram o convite e a expectativa de uma decisão
favorável. Neste processo, e por diversas mediações
de discernimento “o Espírito Santo e as Filhas do Amor
Divino se puseram de acordo.” A fundação da
comunidade das FDC hoje é uma realidade.
A fundação oficial aconteceu no dia 09 de janeiro
de 2005, na Igreja Matriz da paróquia Nossa Senhora das Neves,
durante a Celebração Eucarística presidida
por Dom José Mário e concelebrada pelo pároco
de San Isidro, Padre Antón Rey e pelo Padre Xabier Eskauriaza,
pároco de San Vicente.
No processo de inserção nesta nova realidade de missão
a marca-força do Amor Divino nos desafia: a ser um sinal
de esperança e apoio junto aos mais pobres e pessoas sofridas;
contribuir intensamente na formação e acompanhamento
de lideranças: catequistas, agentes pastorais das comunidades,
mulheres, jovens, pastoral litúrgica, pastoral do batismo,
etc. Despertar e trabalhar a consciência vocacional de modo
amplo, desde a catequese.
Nestes sete meses que nos encontramos aqui, percebemos ser prioritário
investir fortemente nos aspectos acima elencados. Para tudo se requer
muita gratuidade para acolher e revelar o Amor Divino como “
servas e instrumentos” de seu amor.
O Espírito de Jesus ressuscitado nos ilumina, sustenta e
acompanha nos caminhos da vida e missão de cada dia. A oração
e apoio de cada Irmã e comunidade nos mantêm em sintonia
e comunhão.
SEMPRE
A CAMINHO
Inspiro-me na sábia afirmação do poeta quando
canta: “Caminheiro, não existe caminho! Pouco a pouco,
passo a passo, o caminho se faz!”
E é dando passos que fazemos “nosso” caminho,
cada qual o seu! O percurso do caminho depende da motivação
de nossas escolhas na ação de cada dia. Por vezes
podemos experimentar a sensação de estarmos nos afadigando,
sem resultados. Porém, um olhar mais contemplativo poderá
nos ajudar a olhar os fatos de uma maneira nova.
Neste sentido segue uma significativa parábola.
Um carregador de água da Índia tinha duas grandes
vasilhas que colocava nos extremos de uma madeira e que carregava
sobre os ombros. Uma das vasilhas tinha várias fendas, enquanto
a outra era perfeita e conservava toda água ao longo do caminho,
a pé, desde o arroio até a casa do patrão.
Porém, quando chegava, a vasilha que tinha fendas, só
estava com água pela metade.
Durante vários anos seguia esta rotina, diariamente. Desde
logo, a vasilha inteira estava muito orgulhosa, pois se sabia perfeita
à finalidade para a qual foi criada. Porém a pobre
vasilha com fendas estava muito envergonhada de sua imperfeição
e se sentia miserável porque só conseguia render pela
metade do que supunha ser sua obrigação.
Depois de dois anos, a vasilha fendida falou ao aguador: “Estou
envergonhada e quero desculpar-me contigo, porque devido às
minhas rachaduras somente entrego a metade de minha carga e com
isso recebes apenas a metade do valor que deverias receber.”
O aguador sensibilizado lhe disse compassivamente: “Quando
regressamos para casa quero que notes as belíssimas flores
que crescem ao longo do caminho.”
Convido, pois, a cada pessoa que contemple as flores maravilhosas
de bondade, dedicação, serviço gratuito, amor
desinteressado... que já semeou ao longo de seu caminho.
E, em sintonia de corações, demos graças ao
bom Deus!
Um abraço amigo - Irmã Beatriz Maria Engel, FDC.
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