No dia 10 de agosto de 1996 o Frei Ivica Peric, OFM, mandou uma carta acompanhada de uma recomendação de Dom Paul Bakyenga, Bispo da Diocese de Mbarara, pedindo uma comunidade de Filhas do Amor Divino para a Paróquia de Rushooka. Esta viria somar forças ao trabalho já iniciado pelos Franciscanos, a fim de ser presença feminina e religiosa na educação da fé e liturgia e ajuda efetiva nas atividades pastorais e sociais.

A Irmã Nicolina Hendges, Superiora Geral na época, veio acompanhada pela Conselheira Geral Irmã M. Áquila Vieira de Lucena para conhecer a realidade e fazer os contatos com o Bispo, o Pároco e lideranças da Paróquia para dar os encaminhamentos iniciais. Voltando a Roma, enviou um relatório da visita e uma carta-convite dirigida às Irmãs da Congregação convidando as que se sentissem encorajadas a atuar nesta missão que se manifestassem. Seguiu-se o processo de discernimento para a primeira missão no Continente Africano.

Rushooka é um vilarejo no Sudoeste da Uganda. Situa-se num vale rodeado de montanhas, com um clima tropical muito agradável. A plantação da banana é o que prevalece na região sendo a alimentação básica o “matoke”. É também manufaturada na bebida chamada “tonto”. Ali também se planta milho, feijão, amendoim, cebola, batata inglesa e doce, sorgo e mileto.

O povo é simples e acolhedor, mas a pobreza é grande. Já tem um bom trabalho de evangelização e conscientização em andamento com a preparação de lideranças para a catequese e comunidade nas 19 comunidades da Paróquia.

As famílias passam muitas dificuldades devido aos condicionamentos culturais e pobreza, tais como: poligamia, poder concentrado no homem, doenças como malária e AIDS afetam diretamente a vida das pessoas e trazem sérias conseqüências. Entre as principais conseqüências, a grande quantidade de órfãos e viúvas, exclusão e opressão da mulher, alcoolismo, fome/desnutrição e morte prematura devido às doenças mencionadas, baixo nível de escolaridade devido às parcas condições financeiras e/ou distância para freqüentar a Escola.

Este é o “chão sagrado” onde no dia 25 de outubro de 1998 foi estabelecida a Comunidade Santo Agostinho, constituída pelas Irmãs M. Alaíde Miôr (Sul do Brasil), Vedrana Ljubic (Croácia), Ancilla Hett (Áustria), Angélika Chyla (Polônia) e Magna Lira Rodrigues (Nordeste do Brasil), vindas de cinco Províncias da Congregação. Foi o Amor de Deus que nos congregou em Comunidade e nos impulsionou a dar vida ao ideal da Fundadora Madre Francisca Lechner de “Fazer o bem, doar alegria, tornar feliz e conduzir ao céu.”

 

SAÚDE - “Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância” (Jo 10,10). Motivadas por esta mensagem o grupo se dedica à prevenção e cura de doenças proporcionado melhor qualidade de vida ao povo.
Criou-se uma Unidade de Saúde, dedicada á Madre Francisca Lechner considerada uma fonte de irradiação de vida e saúde para o povo vindo de perto e de longe. O atendimento dispensado pelas Irmãs é considerado como o “toque do sagrado”, fato que é motivação de responsabilidade para o trabalho. O atendimento se dá de segunda a sábado ao meio dia com os seguintes serviços: consulta de enfermagem, exames laboratoriais, orientação nutricional, programa de vacinação, combate à verminose, pré-natal, educação básica para a saúde através de palestras, vídeos e teatros sobre os mais diversos assuntos, especialmente sobre a AIDS que é um problema alarmante. Faz parte também a visita domiciliar para orientação em saúde.

Viúvas - É um grupo de mulheres, em sua grande maioria muito jovens, que perderam os maridos em conseqüência da AIDS e outras doenças. O objetivo deste trabalho é oferecer suporte psicológico, espiritual, humano e financeiro, na tentativa de proporcionar uma relativa qualidade de vida para elas, bem como, a possibilidade de libertação da discriminação familiar e social. Os encontros mensais são coordenados por uma Enfermeira, na Unidade de Saúde, com momentos fortes de espiritualidade, orientação em saúde, confraternização em forma de almoço e planejamento de sustentação:
Casa de Moagem São José, criação de cabras, financiamento do feijão, criação de porcos. Cada pessoa participa nos projetos recebendo uma parte da renda dos mesmos. O sonho é ampliar o grupo, pois são muitas as viúvas que estão pedindo ajuda e realmente são necessitadas.

Centro da Mulher Marta e Maria - É um outro centro de irradiação e valorização da mulher no ambiente familiar e social, inaugurado em abril de 2001, com o objetivo de resgatar o valor e a dignidade da mulher através de múltiplas atividades de cunho psicológico, humano, espiritual e técnico. O projeto oferece cursos de média duração de corte e costura, bordado, crochê, aplicação e culinária. Também têm aulas de inglês, idioma oficial, uma vez que a maioria só fala o Runiankore, idioma local. Na área da formação humana e espiritual são oferecidas palestras e treinamentos em postura familiar e social, higiene, hábitos alimentares, espiritualidade e outros temas. As alunas, muito prendadas, deixam transparecer a satisfação de estarem aprendendo e fazendo algo mais do que passar a vida inteira no cabo da enxada, cavando sem descanso para sustentar o marido e os muitos filhos. São centenas de mulheres africanas que conhecem e experimentam apenas sofrimento e dor, como fruto da opressão, discriminação e do patriarcado que pesa fortemente sobre elas.

Jovens e Crianças - Rushooka está povoada de jovens e crianças que carregam dentro de si a esperança e o anseio de um dia serem qualificadas para exercerem alguma função no mercado de trabalho. Para muitas, é apenas um sonho, pois a pobreza é a principal “algema” que as prende a impede de desenvolver os talentos e serem sujeitos na transformação da realidade e sociedade. O projeto prioriza jovens e crianças em situação de pobreza extrema pagando a mensalidade escolar, fornecendo o essencial para se manter no pensionato. Esta ajuda é insignificante diante do número crescente de jovens e crianças. Estas são inteligentes, dotadas de muitas qualidades, especialmente artísticas.

Tem muita riqueza escondida em cada uma destas prioridades. É preciso explorá-las na medida do possível com criatividade pastoral, no profundo desejo de mostrar às pessoas o “rosto materno de Deus” que ama sem medida! Os desafios da missão são muitos, mas a alegria do bem realizado os ultrapassam. O seguimento de Jesus Cristo, na missão, oportuniza profundas experiências de fé, de amor e de misericórdia que, na linguagem humana, muitas vezes são impossíveis de expressar ou descrever. Que o Espírito do Ressuscitado continue a nos animar, encorajar e manter fiéis à missão para a qual nos chamou, consagrou e enviou. Que Ele continue chamando jovens para os caminhos do Amor Divino.