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O medo de nós mesmos É
normal que, como todo ser humano, tenhamos limites. Como Adão
e Eva, caímos na armadilha de recusá-los. Amaríamos
ser como Deus, amaríamos ser Deus.
Esta tentação fundamental de
recusa dos limites, que se encontra no coração do
ser humano, foi superada por Jesus, quando passou seus quarenta
dias de jejum no deserto. É significativo que as tentações
de Jesus digam respeito, precisamente, à aceitação
dos limites do ser humano, à recusa da onipotência.
Por medo de ver-nos tais como somos, escondemo-nos
de nós mesmos, o que nos leva ao temor de sermos vistos:
tive medo porque estou nu e me escondi, responde Adão ao
Eterno, que lhe indaga: Onde estás? (A pergunta de Deus refere-se
não a um local geográfico, mas a um lugar dentro do
ser: Onde estás em ti mesmo.)
A aceitação dos próprios
limites é uma conversão muito profunda, uma passagem
essencial.
Texto extraído do livro A Evangelização
das profundezas de Simone Pacot
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