1. O medo de nós mesmos

É normal que, como todo ser humano, tenhamos limites. Como Adão e Eva, caímos na armadilha de recusá-los. Amaríamos ser como Deus, amaríamos ser Deus.

Esta tentação fundamental de recusa dos limites, que se encontra no coração do ser humano, foi superada por Jesus, quando passou seus quarenta dias de jejum no deserto. É significativo que as tentações de Jesus digam respeito, precisamente, à aceitação dos limites do ser humano, à recusa da onipotência.

Por medo de ver-nos tais como somos, escondemo-nos de nós mesmos, o que nos leva ao temor de sermos vistos: tive medo porque estou nu e me escondi, responde Adão ao Eterno, que lhe indaga: Onde estás? (A pergunta de Deus refere-se não a um local geográfico, mas a um lugar dentro do ser: Onde estás em ti mesmo.)

A aceitação dos próprios limites é uma conversão muito profunda, uma passagem essencial.

Texto extraído do livro A Evangelização das profundezas de Simone Pacot