| 2. A prova do amor
Bem sabemos que as palavras “te amo”, infinitamente
repetidas em todos os tempos, em todas as latitudes do planeta,
na maioria dos casos podem ser apenas expressão provisória
e vazia do sentimento humano.
Mas o olho de Jesus sabe ir além das simples palavras de
Pedro, o qual, ao dizer “te amo”, não estava
blefando: mais tarde daria sua vida por amor. Porque amor, no fundo,
é só isso: fazer da própria vida um dom para
a felicidade do outro...
Então poderíamos dizer que o evangelho é o
desmascaramento do amor falso; daquele amor que é apenas
um impulso imediato da natureza humana: amor que não é
dom de si, mas apropriação indébita da vida
alheia...
É verdade: existe mesmo um tipo de amor que se manifesta
e se afirma como realidade oposta ao amor verdadeiro; como dilatação
e sublimação do próprio egoísmo. Egoísmo
que vive e se alimenta com a exploração da outra criatura,
a qual, não raro, acaba sendo destruída.
Claro que o evangelho não é um projeto de psicanálise...
É antes a enunciação de um projeto existencial,
em que todas as nossas energias, todas as nossas capacidades, assim
como nosso próprio coração, são postos
a duras provas: convocados ao serviço daquela parte da humanidade
deserdada de tudo, que nunca soube amar porque nunca se sentiu amada...
“Tu sabes que eu te amo”. É emocionante, é
belo e divino sabermos que alguém nos ama. Da mesma forma,
é emocionante e divino que outros escutem de nós essa
mesma declaração de amor.
Amar, porém, quer dizer estar disponível para fazer
da própria vida um DOM. Pronto para ultrapassar as fronteiras
da existência individual - e se consumir para a feliciedade
dos outros.
Mas é sempre bom lembrar que, assim como para Jesus e para
Pedro, a prova do nosso amor só pode ser o caminho do calvário.
Pe.Virgílio, ssp O DOMINGO, 3° Domingo da Páscoa
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